Hoje queria falar sobre algumas coisas que venho percebendo no cenário humorístico do qual faço parte. A minha presença neste cenário aconteceu por acaso. Nunca me considerei um humorista mas sim um ator que trabalha com comédia mas antes de mais nada sou ator e não me vejo no cenário humorístico pra sempre. Quero fazer muito mais coisas e, inclusive, no ano que vem pretendo focar mais outros projetos ao invés de ficar fazendo shows de comédia o tempo todo. Sinto essa necessidade de priorizar outro projetos por dois motivos. O primeiro é, óbviamente, para não abondonar os palcos onde posso atuar em outros gêneros diferentes da comédia e estar interagindo com outros atores e o segundo é por que acontecem coisas no cenário do humor que estão me decepcionando.
 
Jamais seria deselegante ao ponto de citar nomes aqui mas acho importante as pessoas saberem algumas coisas que se passam nos bastidores. A comédia está virando o Mad Max dos anos 2000 com a diferença que ao invés de brigarem por gasolina vejo pessoas se gladiando por piadas e o pior é que muitas vezes brigam por piadas que nem são delas!
 
Eu não sou um gênio do stand-up, muito pelo contrario, sou um cara comum assim como um monte de humoristas que tem por ai mas podem ter certeza que toda vez que subo ao palco para me apresentar eu uso material próprio! Se eu me der bem ou me der mal, será com material de minha autoria. Aliás, pelo que eu me lembre textos inéditos é um dos princípios da comédia stand-up. Mas parece que tem muita gente se esquecendo deste princípio. Isso é revoltante!
 
Muitas vezes, por desconhecer este princípio do stand-up e por desconhecerem materiais de humoristas estrangeiros o público aplaude de pé e consagra humoristas que hoje são tratados como "papas" do humor e nem percebem que os mesmos estão se utilizando de piadas prontas ou até mesmo pegando piadas de comediantes renomados do exterior para arrancarem risos da platéia e lotarem seus shows. Fico imaginando, como deve ser o processo criativo desses humoristas? O cara compra um DVD gringo de comédia stand-up, liga o dvd, faz uma pipoquinha de micro-ondas, senda no sofá e ai vem a parte dificil do processo de criação...traduzir o material! Olha só como é complicado criar um texto! Depois de fazer isso, basta o humorista selecionar as melhores piadas, achar um teatro bacana e correr pro abraço.
 
Nós que somos de uma geração mais recente do humor sofremos muito com isso. O público, geralmente, quer ver ao vivo o cara que está na mídia e não vejo nenhum problema em relação a isso mas o que acho muita picaretagem é você ir pro teatro e pagar R$ 50 por um show onde o conteúdo que será apresentado muitas vezes não é de autoria do humorista que está se apresentando. Assim fica fácil ser considerado "papa" do humor né?
 
Não estou dizendo que todos fazem isso. De jeito nenhum. Tem humoristas que são extremamente talentosos que merecem estar onde estão. O Danilo Gentili é um que merece cada vez mais o sucesso que hoje bate a sua porta. É um humorista que inspira e sua criatividade é algo simplesmente invejável. Mas é uma pena nem todos serem tão criativos e de tão boa indole como o Danilo.
 
Gostaria que este post te levasse ao menos a uma reflexão. No teatro, o palco e o público devem ser tratados com o maior respeito e você pagar por um show onde ocorre algo desse tipo é um tremendo desrespeito com você! Tem muita gente anônima com muito talento e com material inédito que está batalhando muito e tem dificuldades para lotar um bar com capacidade de 100 pessoas cuja entrada, as vezes, não chega a R$ 15.



Escrito por Gus Fernandes às 23h05
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Estou aqui para tentar alertar vocês sobre uma nova modalidade de assalto que vem sendo praticada pelas ruas de São Paulo e que aconteceu comigo.

Ontem estava andando de carro ali próximo a Avenida Rebouças, um pouco distraido eu confesso, quando o semáforo fechou. Geralmente, não ficamos muito atentos nos sinais pois é o tipo de coisa que achamos que nunca vai acontecer com a gente mas dessa vez aconteceu.

O som do meu carro, por si só, já me distraia mas de repente um garotinho começou a fazer malabares em frente ao meu carro. Fiquei ali entretido com a habilidade do garoto quando, de repente, 3 indivíduos completamente mascarados invadiram meu carro e me forçaram a guiar pelas ruas da cidade.

Durante o percurso, os indivíduos tiraram suas máscaras e, espantado, percebi que eram 3 mulheres me assaltanto. Pediram que eu entrasse em um motel qualquer ali da Marginal Pinheiros. Nesse momento, fiquei muito assustado pois era provável que quisessem roubar meus rins ou algo do genêro. Para meu espanto, acertei a modalidade do assalto porém errei qual orgão elas queriam.

Batata! O objetivo daquelas 3 assaltantes eram abusar sexualmente de mim. Mal conseguia olhar para aquelas 3 loiras. Mas me atentei em todos os detalhes pois poderiam ser, futuramente, insumos para uma possível denúncia. Ambas tinham aproximadamente, 1,73m, olhos verdes, seios fartos e pernas torneadas. Nessa hora tudo que vinha a minha cabeça era minha namorada me esperando em casa com sua pantufa, os cabelos enrolados no bob, aquela mão cheirando cebola e com aquela calcinha velha com o elástico frouxo. Meu instinto de sobrevivência falou mais alto e por isso resolvi colaborar.

Após 4 horas fatigantes de abuso com minha pessoa, me obrigaram a pagar o motel e me soltaram no mesmo local onde haviam me pego como vítima.

Passem esta informação para o maior número de pessoas possíveis pois não sei se elas continuarão agindo no mesmo ponto por muito tempo.



Escrito por Gus Fernandes às 05h22
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Nos últimos posts do blog eu estava muito filosófico e escrevendo em um tom pouco bem humorado. É certo que a idéia não é fazer esse espaço se tornar um blog de humor mas sim um blog onde escrevo o que estou pensando no momento.
 
Resolvi então postar algo que fosse mais leve do que os últimos posts e vou contar uma situação que aconteceu entre eu e meus amigos. Não tem nada de especial mas nos fez rir por algum tempo.
 
Depois da gravação do DVD do Pedra Letícia em Curitiba, nós fomos pro hotel e fizemos uma roda de violão. Na cantoria estava eu, Fabiano Cambota, Felipe Hamachi, Gabi, Verônica e Mari. Nós começamos a cantar músicas com a língua presa e descobrimos várias canções que ficam bem legais quando cantadas assim.
 
Caso estejam curtindo o blog, deixem um comentário!
 
Segue algumas:
 
Caga. cagamba, caga, caga ôoooooooooooooooooo
Caga. cagamba, caga, caga ôoooooooooooooooooo
____________________________________________________
 
Foi sem queguer que degamei toda emoção, undegueguegue
Venho te pedir perdão...
____________________________________________________
 
Analisando essa cadeia hegueditáguia, quego me livgar dessa
situação prguecáguia...
____________________________________________________
 
Viga, viga, viga, viga homem viga, viga
Viga, viga lobisomem, viga, viga...
____________________________________________________
 
Sabe, tchugugugu...
____________________________________________________
 
Contgra todos e contgra ninguém...
____________________________________________________
 
A semana inteiga, fiquei espegando, pgra te ver sorrindo,
Pgra te ver cantando....
Não quego dinheigo, eu quego amor sincego, isso é que eu espego.
Ggrito ao mundo inteigo, não quego dinheigo
Eu só quego amar!
____________________________________________________
 
Bgrincadeiga de crguiança, como é bom, como é bom
Guardo ainda na lembgrança, como é bom, como é bom

 



Escrito por Gus Fernandes às 04h32
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Antes de começar a trabalhar com shows de humor com personagens e fazer stand-up eu já trabalhava ha muito tempo com teatro.Não me considero um aventureiro nos palcos pois antes de subir em um passei bons anos da minha vida em salas de aula estudando o teatro (Célia Helena, Studio Beto Silveira, Studio Fátima Toledo, entre outros), trabalhando como assistente de direção, subindo escadas para afinar refletores e fazendo peças que nunca me deram o menor retorno financeiro mas sempre me deram aprendizado e um respeito muito grande por qualquer palco em que me apresento.
 
Certamente ao longo desse tempo todo conheci pessoas muito bacanas a quais fazem parte da minha vida mas ultimamente venho observando a futilidade de algumas pessoas que estão envolvidas direta ou indiretamente com o meio artístico. Por ser um sujeito muito crítico com meu trabalho eu sei bem quais são as minhas limitações de humorista e de ator mas de uma coisa eu tenho certeza. Eu jamais usarei o palco para pegar uma mulher, eu sempre tratarei bem as pessoas independentemente de qual programa na tv ela apresenta e os meus amigos sempre serão selecionados de acordo com seu caráter e nunca pelo crachá da emissora que ele usa! Você pode estar espantado e pensando: Nossa, tem gente do meio artístico que é assim? E eu respondo: Não só pessoas do meio artístico são assim mas muitas vezes o público em geral pensa assim e quem sabe até você que está lendo este post!
 
Hoje o Léo Lins, humorista de Curitiba o qual tenho grande admiração e respeito postou uma coisa no twitter que concordo e que dizia assim: "problema da moda stand-up: famoso ruim faz show, na vez do anônimo bom, o povo pensa: se o da TV é ruim, imagine o desconhecido" Isso é um fato que retrata essa futilidade das pessoas em te julgarem e te aceitarem de acordo com o crachá que você usa no pescoço. As pessoas estão perdendo a capacidade de julgar o que é bom e o que é ruim! Pouco importa, o que importa é estar perto do famosão! Isso acontece não só em show de humor mas para pra pensar: quando foi a última vez que você comprou um cd de uma banda que não está na mídia e ficou apreciando o trabalho completo dessa banda? Deve fazer muito tempo que você não faz isso pois é muito mais prático baixar apenas o hit de sucesso da banda que você já conhece. Na maioria das vezes o público engole guela abaixo o que a mídia define como bom ou ruim!
 
Ao fazer isso parte dos artistas e do público esquecem que como tudo na vida existe um ciclo com início, meio e fim. O carro do ano sai de ano, o tênis da moda sai de moda, o artista famoso de hoje pode ser o anônimo de amanhã e o anônimo de hoje poderá ser o famosão de amanhã.
 
Conheço bastante gente, mas amigos que posso contar são muito poucos mas esses poucos que tenho são suficientes para deixar minha vida mais feliz. Meus amigos de verdade fizeram muito por mim. Me recomendaram discos e filmes mas fizeram mais que isso e quando foi preciso me recomendaram cautela. Meus amigos já me emprestaram dinheiro mas me emprestaram a jaqueta nas noites de frio. Meus amigos seguram a porta do elevador para eu entrar mas fizeram muito mais que isso eles seguraram a barra comigo e seguraram minha mão quando cai e precisei levantar. Meus amigos já se esqueceram de me pagar a grana que eu emprestei algum dia mas nunca se esqueceram do dia do meu aniversário. Talvez meu amigos nunca tenham ido a um show meu mas todos eles foram me visitar quando eu estava mal e precisando de alguém.   
 
Eu já não me impressiono mais com pulseirinhas vip´s e camarotes em baladas. Eu gosto mesmo é de ficar em casa, tomando coca-cola, fumando meu cigarro, comendo esfiha do Habbib´s e jogando Playstation com meu amigos! Isso que é vida!


Escrito por Gus Fernandes às 20h53
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Ando reparando que existem pessoas que estão numa busca desenfreada por fama e grana. Que deprimente! Alguns podem até chamar isso de objetividade, saber o que quer da vida mas para mim não! Essa busca desenfreada pela fama mais me lembra um cavalo chucro que fica pulando de um lado pro outro sem a menor direção.
 
Qualquer pessoa que inicia no mundo artístico visando fama e grana, já começou errado! O meu objetivo nessa caminhada artística é um pouco diferente. Eu busco reconhecimento o que na minha opinião é muito diferente de fama. Reconhecimento você pode ter mesmo não tendo exposição na mídia. Por exemplo, fico extremamente feliz quando acabo um show e alguém chega e diz: Gus, não te conhecia mas curti o seu trabalho. Isso é reconhecimento! Lógico que se a grana vier junto com o reconhecimento é muito melhor mas nenhum trabalho que desenvolvo é visando ser reconhecido nas ruas e muito menos ganhar milhões com ele. A arte é um estilo de vida! É a busca de um ideal!
 
Quem só pensa em dinheiro não consegue sequer ser um grande bandido pois não existe um sonho, não existe um ideal!
Vocês acham que Napoleão invadiu a Europa por dinheiro? Que Michelângelo passou 16 anos pintando a Capela Sistina por dinheiro? Não! Existia um sonho! Existia um ideal!
 
Lembro de uma passagem que descreve o diálogo entre uma freira americana cuidando de leprosos no Pacífico e um milionário texano. O milionário, vendo-a tratar daqueles leprosos, disse:

- Freira, eu não faria isso por dinheiro nenhum no mundo.

E ela responde:

- Eu também não, meu filho.
 
Cuidado aqueles que só pensam em grana pois pensar e realizar, tem trazido mais fortuna do que somente pensar em grana. Aliás, Essa busca desenfreada por fama e grana é extremamente perigosa pois vejo pessoas negociando seus princípios por míseros atalhos na estrada. Infelizmente, grande parte das pessoas tem o seu preço. E a pergunta que deixo neste post é: Qual o seu preço?
 
Os meus princípios sempre serão inegociáveis! 


Escrito por Gus Fernandes às 16h18
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Que a internet é uma mão na roda para todo mundo isso é inegável. Hoje em dia é possível estar conctado com o mundo interiro, o tempo todo e onde quer que você esteja.Você consegue acessar e-mails, pagar contas, teclar com amigos e tudo isso usando apenas um aparelho celular. A conexão entre as pessoas está cada vez mais acessível. As pessoas estão cada vez mais interligadas através da internet.É fantástico!

É praticamente impossível viver nos dias de hoje sem a internet e é justamente por isso que crescem, cada vez mais, as vendas de aparelhos celulares com todas estas funcionalidades.Esses aparelhos são "figuras" conhecidas entre as pessoas. Comumente vemos pessoas conecatdas a internet na rua, nos bares, no trânsito, etc...
 
Eu ainda não faço parte da geração Blacyberry mas me senti um peixe fora d´agua num encontro com amigos em um bar de São Paulo.Estávamos numa grande mesa de bar, com vários amigos e quase todos com seus Blackberrys a mostra. Ao mesmo tempo que as pessoas se encontravam, elas acessavam a internet via celular, procuravam mais opções de baladas para aquela noite, chamavam mais amigos para o encontro através do msn e eu era um dos poucos que não tinha como contrubuir pois não tenho um aparelho desse porte e desta forma me limitava a conversar com poucos amigos que, assim como eu, não possuiam tal tecnologia. De repente, a conversa pessoal era cada vez mais escassa e as pessoas mal se olhavam nos olhos pois o mais importante no momento era twittar o que estava acontecendo no bar e postar fotos no orkut. A pergunta que não sai da minha cabeça é: Isso é conectar pessoas? Eu acho que não, cada vez mais as pessoas estão se evitando devido a facilidade da internet. As pessoas não se falam como se falavam antes. Quem nunca passou por uma situação onde você perdeu uma festa de aniversário por que o aniversariante te convidou apenas pelo orkut? Aliás as pessoas só lembram do seu aniversário por que o orkut avisa caso contrário essa data especial passaria em branco. Quem nunca passou por uma situação parecida a essa? O contato interpessoal está se perdendo! 
 
Essa situação foi me incomodando de uma forma afinal na minha percepção esse não é o conceito de conectar pessoas. Resolvi ir embora. Chamei o garçon e disse:
 
- Garçon, por favor me traga a conta!
 
E ele respondeu:
 
- Me ADD no Orkut, peça a sua conta por DEPO que nós a enviaremos por DM no Twitter! Faça o pagamento através do nosso site e o comprovante de pagamento será anexado ao seu Facebook!
 
Dai eu disse:
 
- Mas eu não tenho como acessar a internet daqui. Quero pagar em dinheiro mesmo, você aceita?
 
E ele disse:
 
- Só aceito se deixar um scraap!


Escrito por Gus Fernandes às 18h12
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No post que escrevi sobre os anos 80, mencionei algumas bandas que faziam sucesso nesses idos. É quase que impossível dizer qual banda era a melhor afinal todas eram muito boas. Bandas meia boca eram exceção a regra. Naquela época era som de qualidade a granel. Eu me arrisco a dizer que a melhor banda do mundo até hoje foi o Quenn. Era impecável. Sinceramente, acho que vai ser muito difícil surgir algo novo que supere o Queen ou até mesmo qualquer banda dos anos 80. A pior banda dos anos 80 é infinitamente superior a qualquer uma que rola atualmente. Não que eu ache que as bandas atuais não tenham capacidade, mas é que parece que limitam-se em repetir padrões. As bandas não inovam, não inventam ritmos, não trazem nada de novo. Hoje você liga o rádio e parece que é tudo a mesma banda que está tocando. É tudo igual. As bandas boas de hoje são exceção a regra. Para se achar algo interessante tem que garimpar muito. Desta forma, resolvi garimpar algumas coisas e colocar aqui no dica sonora. Sempre vou postar uma banda gringa e uma nacional que acho que vale a pena conferir:

Dica Nacional: LUDOV (URBANNA)

Dica Internacional: RICHIE SAMBORA (HARD TIMES COME EASY)



Escrito por Gus Fernandes às 14h58
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Como é do conhecimento de todos, o Brasil vai sediar as olimpíadas de 2016. Agora é um tal de investir milhões de reais em reformas de estádios, construção de ginásios e preparação de uma infra-estrutura de primeiro mundo para os estrangeiros se sentirem em casa e poderem usufruir de todo o conforto que os países de primeiro mundo, habitualmente,lhes oferecem. Afinal, somos um povo muito hospitaleiro! Que beleza!
 
Sediar as olimpíadas é uma grande conquista mas todo esse investimento que vem junto com um evento desse porte nada mais é do que um "rouge" para maquiar as imperfeições que um país terceiro mundano apresenta.
 
Infelizmente, somos dotados de uma cultura tupiniquim e, muitas vezes, por sermos desprovidos de memória esquecemos que vivemos num país onde escola não ensina, alguns hospitais nem dispõe de raio x, um povo que é feliz se tem água de chuva e luz do sol. Pode ser o país do futebol mas não é, com certeza, o meu país. Um país que perdeu a identidade, a capacidade de saber o que pensa e o que diz e que jamais poderá esconder a cicatriz de um povo de  bem que vive mal. Pode ser o país do carnaval mas não é, com certeza, o meu país. Um país onde nos importamos mais com um penalti desperdiçado do que com o cárcere privado que somos submetidos. Um país que permite um estupro em cada esquina por ausência de códigos corretos, com mais de 40 milhões de analfabetos, onde massacram-se diariamente o negro e a mulher. Pode ser o país de quem quiser mas não é, com certeza, o meu país. Um país onde políticos perderam a compostura e terão nas olimpíadas a oportunidade de dividir o Brasil em mil Brasiis para poderem assaltar de ponta a ponta. Pode ser o país do faz de conta mas não é, com certeza, o meu país!


Escrito por Gus Fernandes às 01h39
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Ultimamente, ando passando por momentos nostálgicos e minha mente anda possuída por memórias dos saudosos anos 80. Fiquei com saudade do tempo em que eu era adolescente. A maneira que nós nos divertíamos era bem diferente de como as coisas acontecem hoje.

Não tinha coisa melhor do que ficar esperando o aniversário de alguém da galera para agitarmos um "bailinho". Era do muito bom! A gente organizava todos os detalhes. As meninas levavam os doces, os meninos os salgados e de quebra a gente fazia uma festa regada a Keep Cooler com o intuito de tornar nossa vida um pouco mais fácil na hora da "lenta".

Para os mais jovens, depois explico o que era a "lenta". A semana custava a passar, ficávamos esperando chegar logo o dia do "bailinho". Mal conseguia-se dormir, ainda mais quando a dúvida se alguma garota ia dançar uma "lenta" com a gente martelava a cabeça. No dia "D", os meninos verificavam se todos os preparativos estavam em ordem. Checávamos se a lona preta estava tampando toda a garagem, se as luzes estavam funcionando, se os vinís não estavam riscados e nos organizavámos para ver quem iria tirar qual garota para dançar. Naquela época ninguém mexia na gaveta de ninguém. Tendo tudo isso resolvido, cada um ia para sua casa para se arrumar. Dai era um tal de um emprestar gel para o outro e pedir para as mães passarem nossas camisas. Como resultado final, eram garotos de botinhas Comander, calça jeans, camisetas brancas, suspensórios, camisas quadriculadas amarradas na cintura e atitude de quem achava que um dia iríamos mudar o mundo.

A gente se divertia! Dançavamos ao som de B-52´, Devo, Joy Division, New Order, Toy Dolls, Fine Young Cannibals, Police, Queen, Talking Heads, The Cure, Smiths, The Clash, Supertramp, A-Ha e conseguíamos até nos embriagar com Keep Cooler. Era habitual, no meio do "bailinho", alguns de nossos pais aparecerem de surpresa e ver se a ordem estava estabelecida no local. Depois de dançar muito, com as mãos para trás e chutando o nada, era aguardada a hora da tão sonhada "lenta". De repente, as luzes se apagavam e, começava a tocar Ebany Eyes ou Carless Wisper e as meninas sentavam de um lado da garagem e os meninos do outro. Bicho, dava um cagaço da porra levantar e tirar uma garota para dançar uma "lenta". A barriga parecia estar viva. Chegava a dar caimbra no cú. Nessa época não existia esse lance de transar no primeiro encontro. O auge da putaria nessa época era ter passado a mão nas costas e falar no ouvido da garota na hora da lenta.

Gostaria muito de poder voltar no tempo e poder viver todo aquele movimento de novo, mas não posso! Para mim, a única coisa que sobrou dos anos 80 foram gratas lembranças e junto com aquela idéia de que iríamos mudar o mundo veio a certeza de que para mudar o mundo é preciso começar com a gente. Eu mudei!

 



Escrito por Gus Fernandes às 21h57
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